Começa hoje a eleição semanal das figuras do futebol português que, na minha opinião, merecem aplauso ou assobio por aquilo que disseram ou fizeram.
APLAUSO
CARLOS QUEIROZ
Aplauso para Queiroz por ter mantido a SELECÇÃO de PORTUGAL no patamar cimeiro do futebol mundial. O seleccionador português acreditou sempre que era possível. Mesmo sem Ronaldo conseguiu o passaporte para a África do Sul. Parabéns Prof.
ASSOBIO
OLEGÁRIO BENQUERENÇA
Ouvi e nem queria acreditar. Dizer, num Congresso de Arbitragem ,que não se importa de ser árbitro profissional desde que lhe paguem bem para suportar que lhe chamem "CHULO" e "PALHAÇO"? Não há memória!
A selecção está no Mundial da África do Sul após uma saborosa vitória na Bósnia. O jogo terminou com Ricardo Carvalho como capitão de equipa, no dia em que completou 60 internacionalizações. Como o tempo passa.
A "estória" de hoje tem, precisamente, a ver com um momento vivido no verão de 1997, com três intervenientes: Ricardo Carvalho, Pinto da Costa e eu.
A notícia da saída, não confirmada pelo FCPorto, para o Tenerife, de Domingos Paciência, levou-me ao Porto para tentar confirmar a veracidade da informação que tinha obtido junto de uma fonte credível. Mas como nunca gostei de dar notícias para serem desmentidas, lá fui até ao velhinho Estádio das Antas para, in-loco, confirmar a veracidade do que me haviam dito.
Chegado à "casa" do FCP, pedi para falar com o presidente, Pinto da Costa, para que não houvesse equívocos. Enquanto esperava pela resposta ao meu pedido, fui andando por ali e, de repente, dou com os olhos no líder portista. Logo a ele me dirigi e, depois dos cumprimentos da praxe, fui directo ao assunto perguntando se a saída do Domingos era uma realidade? Pinto da Costa, a sorrir, disse-me que lhe parecia que o avançado já tinha limpo o cacifo. Pedi-lhe que me confirmasse para o gravador e, enquanto o tentava convencer a gravar, aproximou-se de nós um jovem de cabelo comprido, que eu não conhecia. PC virou-se para mim e disse-me: "sabe, o que interessa é o futuro e quero apresentar-lhe um novo Fernando Couto". Com efeito, com aquele cabelo o jovem parecia-se com Couto. Seguindo com a conversa, e dando uma palmadinha amigável no ombro do "rapaz", acrescentou: "aqui, o nosso Ricardo Carvalho, vai agora rodar para o Leça, para ganhar experiência, e olhe que este não engana".
Passado este tempo todo, dá para perceber que Ricardo Carvalho, apesar de ter, entretanto, mudado de visual, não enganou mesmo. Antes de regressar ao FCP, esteve uma temporada no Vitória de Setúbal e outra no Alverca. Depois ganhou tudo o que havia para ganhar no Porto de José Mourinho, e em 2004/05 ingressou no Chelsea onde continua a ser um dos esteios da equipa inglesa.
Com o apuramento para a fase final do Mundial, Ricardo Carvalho atinge, assim, o patamar que Pinto da Costa lhe augurou em 1997. Quem sabe, sabe.
Aqui quero deixar os parabéns a todo o grupo de trabalho que levou a selecção a escrever, na Bósnia, mais uma página brilhante da sua história e com Ricardo Carvalho, o personagem desta "estória", como CAPITÃO.
Como estamos em tempo de Selecção A e perto da decisão final do apuramento para mais um Mundial, veio-me à memória um jogo em que o então, tal como agora, seleccionador nacional era Carlos Queiroz.
Corria o ano de 1993, dia 27 de Abril, véspera do Portugal-Escócia jogo a contar para a fase de apuramento do Mundial dos Estados Unidos. A selecção estagiava num hotel da zona do Estoril/Cascais e lá estava eu para acompanhar os trabalhos da selecção, 24 horas por dia. O relacionamento com o staff da FPF era muito bom, sendo que cada um sabia respeitar o espaço e a função de cada um. Reparei que Carlos Queiroz andava bastante entusiasmado com o trabalho que estava a desenvolver. Nessa altura despontavam já Figo, Peixe, Rui Costa, João Vieira Pinto, Paulo Sousa, Fernando Couto, Baía, Jorge Costa, Folha, Hélder e Domingos que se juntavam a Futre, Rui Barros, Cadete, Oceano, Paneira, André, Semedo, Rui Águas, Veloso, João Pinto, Leal, Fernando Mendes, Nogueira e Neno que constituiram o grupo que participou na campanha.
Após o jantar, os jogadores subiram para os quartos e eu, a trabalhar para a TSF, juntamente com o meu amigo Carlos Boto, da Comercial, agora está no Rádio Clube, ficámos por ali para tentar saber quem ia jogar no outro dia, no mítico, antigo, Estádio da Luz.
Por volta das 22h metemo-nos com Queiroz para saber as últimas. O seleccionador sorriu e convidou-nos a entrar numa pequena sala onde havia um quadro e sem demora disse: "amanhã vamos ganhar por 5-0"! Claro que quisemos saber como iria isso acontecer perante uma selecção cliente habitual das fases finais dos mundiais. Carlos Queiroz não nos fez esperar. Vai ser assim, dizia ele apontando para o quadro: " vamos jogar pelos flancos e após os cruzamentos lá estarão o Rui Barros, Futre, Cadete e sempre mais dois ou três prontos para atirar à baliza. Isto vai resultar e vamos começar a marcar cedo".
Ok, não ficámos convencidos mas não deixámos de comentar que Queiroz estava mesmo convicto de que seria assim como estava a transmitir.
No dia seguinte, 28 de Abril de 1993, às 21h, lá estava eu, no Estádio da Luz, para fazer a cobertura do Portugal-Escócia, com arbitragem do internacional hungaro, Sandor Pul. O jogo começou com Portugal , efectivamente, a jogar pelos flancos e... GOLO! E foi assim até aos 5-0. Rui Barros marcou 2, Cadete mais 2 e Futre 1.
Grande jogo, grande exibição e a previsão de Carlos Queiroz deu tão certa que, em jeito de brincadeira, no fim, lhe chamei "bruxo".
Não sei se o Prof., era assim que lhe chamavamos, desta vez tem alguma premonição para o jogo com a Bósnia, mas eu gostava que tivesse. E não são precisos 5. Resta-me desejar boa sorte.
Já está. A primeira de muitas "estórias" aqui fica a marcar o meu regresso ao exercício do jornalismo.
Durante 20 anos acumulei "estórias" com as grandes figuras do futebol que, por uma razão ou outra, não contei ou não tornei públicas.
Agora é a altura de partilhar "estórias" interessantes, divertidas e em 1ª mão, como era meu hábito enquanto Jornalista que, afinal, nunca deixei de ser.
Os textos serão feitos ao sabor da actualidade.
Semanalmente haverá APLAUSO ou ASSOBIO para grandes protagonistas do Futebol Português. Os vencedores terão o seu troféu no final da época.
Olá. Sou o Carlos Severino. Sou Jornalista de profissão e andei pelo futebol da alta competição nos últimos 20 anos. Depois de ter passado por OCS como a TSF, RTP e TVI, onde me "especializei" em Sporting, Benfica, FCPorto e Selecção A, fiz um "desvio" para servir o meu clube, Sporting, mas sempre ligado à área da comunicação social. Após um "período de nojo", cá estou eu de volta àquilo que mais gosto de fazer.