domingo, 13 de dezembro de 2009

APLAUSO E ASSOBIO, SEMANA DE 7 a 13/12/2009






APLAUSO







VARELA


De proscrito no Sporting a titularíssimo do FC Porto. Ainda ninguém percebeu bem o que se passou para Varela ter sido pago para sair de Alvalade. As explicações dadas por Paulo Bento e Pedro Barbosa não foram nada convincentes. Certo, certo é que Varela está em grande e, certamente, já entrou nas cogitações de Queiroz para o Mundial da África do Sul.








ASSOBIO




JOSÉ BETTENCOURT

O actual Presidente do Sporting foi eleito numa onda de esperança num futuro a condizer com a dimensão do clube leonino. A tarefa não era fácil, mas Bettencourt teima em complicar. Para além do desastre que tem sido a nível de comunicação, consentiu nos disparates que foram as contratações de Angulo e Caicedo. Agora, em período que exige a sua permanente presença junto da equipa de futebol, foi até aos States e lá viu a derrota com o União de Leiria. Com muito respeito pelos sócios e adeptos "americanos", primeiro é preciso arrumar e cuidar da "casa mãe". José Bettencourt não se pode distrair. No Sporting dificilmente se resiste à falta de resultados desportivos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

PINTO DA COSTA, SEMPRE NA DEFESA DO FCP



O FC Porto acaba de vencer, categoricamente, no Vicente Calderon, o Atlético de Madrid de Simão e Quique, e arrecadou mais uns milhares de euros. Há muitos anos que é assim. Tudo fruto de uma estratégia traçada por Pinto da Costa que defende o seu clube, em toda a linha, como se pode constatar na “estória” que passo a contar.


Foi a primeira vez que estive frente a frente com Pinto da Costa. Corria o ano de 1990, mês de Outubro. A Selecção Nacional ia jogar nas Antas, um encontro de apuramento para o Europeu. A Holanda era o adversário. Ganhámos por 1-0, golo de Rui Águas, na altura a jogar no FCP.


Como enviado da TSF para fazer o acompanhamento da Selecção, então treinada por Artur Jorge, certa manhã fui fazer o treino. Antes dos jogadores entrarem em campo, os jornalistas estavam à beira do túnel de acesso às cabinas, em amena cavaqueira. Comentava-se então o aspecto, bom aspecto, que o Estádio das Antas tinha. Havia sido remodelado recentemente e as bancadas estavam todas pintadas de azul.


Do fundo do túnel surgiu Pinto da Costa. Deu um sonoro e agradável bom dia e cumprimentou, um a um, os jornalistas presentes.


Álvaro Faria, jornalista do JN, no seguimento da conversa sobre o estádio, disparou virando-se para o Presidente dos Dragões: “então Presidente, o estádio está todo azul, só falta mesmo a relva para não haver outra cor. Por que é que a relva não é, também, azul?”


A resposta não se fez esperar: “ oh homem, então você não sabe que a relva é para pisar…”. E foi… gargalhada geral.


Confesso que fiquei surpreendido com a rapidez de raciocínio e a resposta na ponta da língua de Pinto da Costa. Nunca tinha estado junto dele. Deu logo para perceber que aquela ironia era corrosiva e demonstrava, claramente, que o dirigente nem num pormenor menos significativo deixava de defender o seu clube. E ainda hoje, passados quase 20 anos, é assim.


Carlos Severino

domingo, 6 de dezembro de 2009

APLAUSO E ASSOBIO, SEMANA 30/11 a 6/12/2009







APLAUSO






JESUALDO FERREIRA


Após alguns resultados menos conseguidos, aí está o FC Porto a demonstrar que o momento de menor fulgor pode estar ultrapassado. A clara vitória em Guimarães. 4 -1, veio mostrar que Jesualdo Ferreira sabe interpretar os sinais melhor que ninguém. O FCP já só está a 3 pontos da liderança na Liga.






ASSOBIO






LIEDSON



É certo que o Sporting não pode passar sem ele. É verdade que Liedson é o melhor avançado a jogar em Portugal, mas isso não lhe dá o direito de colocar em causa, foi o que fez independentemente das desculpas posteriores, o clube que lhe paga ao fazer declarações que apenas servem para adensar os problemas internos do Sporting.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O MILAGRE DE ALKMAAR

Sporting e Benfica estão a caminho da fase final da Liga Europa. A "estória" de hoje conta uma série de episódios vividos aquando do histórico apuramento do Sporting para a final da Taça UEFA, em 2005.


Num momento conturbado, mais um, da vida interna do Sporting, um grupo encabeçado pelo então Vice-Presidente, Miguel Ribeiro Teles, contestava o então Presidente, Dias da Cunha. Por via disso mesmo, o balneário da equipa, treinada por José Peseiro, não vivia os melhores momentos mas, mesmo assim, os resultados e exibições eram deveras animadores.


Na Taça UEFA, o Sporting, mediante grandes exibições e bons resultados, apresentou-se na segunda mão das meias finais da competição com vantagem sobre os holandeses do AZ Alkmaar, após uma vitória por 2-1 em Alvalade.
A diferença era mínima, bastava perder por 1-0 para o Sporting ficar afastado da final que estava marcada, precisamente, para o Estádio Alvalade.


A equipa, e respectiva comitiva da qual eu fazia parte, partiu para a Holanda no dia 23 de Maio. O avião ia cheio e a ansiedade era grande.


Já havíamos sido alertados para as lastimáveis condições do estádio do AZ, mas lá verificou-se que ultrapassava tudo o que podíamos imaginar. Desde as cabinas, nem nos regionais em Portugal, passando pela zona envolvente cheia de contentores, bancadas em ferro e madeira mesmo em cima do relvado, tudo do pior. Quando o Setúbal teve de jogar em Alvalade por exigência da UEFA, percebeu-se que a entidade europeia para o futebol tem dois pesos e duas medidas, dependendo da cor da bandeira.


No dia do jogo aquela espécie de campo de futebol estava lotado de público que, com uns "leques" de papel grosso, fazia um banzé ensurdecedor. A direcção dos leões estava em peso. O jogo começou mal para o Sporting que sofreu um golo logo aos 6 minutos. Já na 2ª parte, Liedson empatou. Depois foi a avalanche dos holandeses a levar o resultado para o empate na eliminatória. Quase a meio do prolongamento, o AZ voltou a marcar passando para a frente no conjunto dos dois jogos.


Vi a partida, na chamada tribuna, até ao intervalo do prolongamento. Não estava a aguentar aquele ambiente. Resolvi ir para o contentor que servia de bar e restaurante acabar de ver o jogo pela TV.
Era eu e cerca de duas dezenas de holandeses, funcionários(as) que olhavam para mim sorrindo e comentando que o AZ seria o finalista. Limitei-me a dizer que o encontro ainda não tinha acabado.


O árbitro olhava já para o relógio e, confesso que estava pronto para sair do restaurante, para não ser gozado pelos empregados do AZ. Mas o futebol tem destas coisas, e mesmo no fim foi Miguel Garcia a dar uma das maiores alegrias de sempre aos sportinguistas.
No restaurante, o silêncio de morte foi quebrado por mim que tirei o sobretudo como se fosse a camisola e rodando-o por cima da cabeça, corri à volta das mesas virando-me para os holandeses(as) gesticulando um grande "toma", com a mão direita, até ficar rouco.


Foi uma noite única. Troquei, com um adepto holandês, a gravata da inauguração do Alvalade XXI por um cachecol alusivo ao jogo. Lembro-me da alegria de toda a comitiva, mas especialmente de Dias da Cunha, o único que parecia confiar em José Peseiro.


Nesta "estória" feliz, não quero deixar de referir algo que na altura estava longe de imaginar que seria a última vez.


O meu amigo Jorge Perestrelo fez o último relato da sua vida. E foi tão exuberante, que levou muitos a pensar que ele era sportinguista. Grande profissional. No final do jogo estive com ele numa conversa bem disposta, referindo-lhe, em jeito de brincadeira, que ele lá teve que fazer a festa do "meu" clube. Rimos e despedi-me com um até amanhã. Foi um até sempre, inesquecível companheiro.


Benfica e Sporting têm agora, na Liga Europa, oportunidade de dar mais umas alegrias aos seus adeptos. Torço para que isso aconteça.



Carlos Severino

domingo, 29 de novembro de 2009

APLAUSO E ASSOBIO, SEMANA DE 23 A 29 NOVEMBRO






APLAUSO







VELOSO E QUIM




O dérbi não teve golos, foi sensaborão. Mas teve  um  lance marcante que só não deu golo porque ao extraordinário remate de Miguel Veloso respondeu Quim com uma defesa do outro mundo. Pela qualidade do lance, o meu aplauso. Por certo que Quim reentrou nas contas de Queiroz.








ASSOBIO









JESUS



O treinador do Benfica ficou satisfeito com o resultado, mas escusava atribuir falta de qualidade ao relvado, ninguém reparou nisso, para justificar uma exibição menos conseguida.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

PROENÇA É DO BENFICA MAS SPORTING GANHOU



A "estória" que se segue aconteceu a anteceder o Benfica-Sporting, realizado no Estádio da Luz, em 4/1/04, ganho pelos leões por 3-1.


Antes da narração do sucedido, quero dizer que, tal como eu me assumo do Sporting, o que não me impede de como jornalista ser profissional, o mesmo acontecerá com os árbitros que podem ser de um dos clubes que intervêm num qualquer jogo por eles dirigido sem que isso influencie o seu desempenho.


Na véspera de mais um clássico, na circunstância Benfica-Sporting realizado em Janeiro de 2004, a nomeação do árbitro foi, como sempre, alvo de polémica. O escolhido pela Comissão de Arbitragem, tal como agora, foi o lisboeta Pedro Proença.


Após o anúncio da nomeação, chegou-me aos ouvidos, na minha condição de director do Sporting para a comunicação social, que Proença era sócio do Benfica, e de camarote. A informação vinha de fonte segura, e por isso não tive qualquer problema em partilhá-la com o director executivo da SAD que, na altura, era José Bettencourt, actual presidente leonino.


Dada a situação, sugeri que aquilo que era um facto fosse posto a circular. Autorização dada e assim aconteceu. Dois dias antes do encontro, a notícia apareceu publicada em alguns jornais e foi um grande "chiribiri". Pedro Proença não confirmou nem desmentiu. Apesar da confusão causada por uma verdade insofismável, com o natural incómodo para algumas personagens, manteve-se a nomeação.


No dia do jogo Proença lá estava de apito na boca, pronto para fazer o seu trabalho. E para que ninguém tivesse dúvidas, aos 8 minutos de jogo, apontou uma grande penalidade, a favor do Sporting, num lance muito duvidoso, que deu no primeiro golo dos leões, apontado por Rochemback.


O Sporting acabou por vencer por 3-1. Silva e Sá Pinto,  também, de penálti, mas este sem sombra de pecado, apontaram o segundo e terceiro golos. Luisão marcou o tento de honra do Benfica.


Após o encontro, as críticas por banda do Benfica e da comunicação social, ao árbitro da partida, foram arrasadoras. Diziam, na maioria, que Proença quis ser tão isento que "borrou a pintura toda". Os benfiquistas afirmavam que não precisavam de consócios assim.


Como se vê, é difícil agradar a todos e quando se trata de um derby lisboeta é mesmo o "fim da picada".


Faço esta revelação ciente de que, na função que tinha no Sporting naquele tempo, era minha obrigação defender os interesses do meu clube.


Aproveito para desejar uma boa prestação a todos os intervenientes no jogo deste sábado. Proença tem categoria para fazer um excelente trabalho.


Carlos Severino

terça-feira, 24 de novembro de 2009

SPORTING – BENFICA, A “Vingança” de Toni e Veloso




Como repórter fiz muitos Sporting - Benfica, mas, apesar da minha costela leonina, nunca misturei trabalho com a preferência clubista, o que não quer dizer que o meu lado emocional não reflectisse, interiormente, alegria ou tristeza pelos resultados do clássico.



Em véspera de mais um derby, cá vai mais uma “estória” inédita, desta vez envolvendo, para além de mim, Toni, então treinador do Benfica, e Veloso, o capitão da equipa encarnada.



Na época 93/94 o Sporting, treinado por Carlos Queiroz, estava à beira de conquistar o campeonato que lhe fugia desde 1982. Precisava de ganhar ao Benfica para atingir o objectivo.



Como jornalista/repórter da TSF, fui marcado para acompanhar o Benfica a tempo inteiro. Treinos, conferências de imprensa, estágio e jogo, tudo fazendo parte do menu para que os ouvintes nada perdessem.



Na véspera do jogo e depois do treino que foi no Coimbra da Mota, no Estoril, dirigi-me ao local de estágio para saber mais alguma coisa que fosse valor acrescentado às informações que tinham sido dadas. Após o jantar da equipa, alguns elementos ficaram pelo salão de convívio, entre eles Toni e Veloso.



No Benfica todos sabiam do meu sportinguismo mas, também, sabiam bem do meu profissionalismo e por isso ninguém se mostrava incomodado pela minha presença. De resto, Toni e Veloso para além de outros como Jesualdo Ferreira, Rui Costa, João Vieira Pinto, como pessoas do futebol que percebiam o papel de cada um, tinham um excelente relacionamento comigo.



As boas relações entre mim Toni e Veloso, permitiram-me dizer-lhes, em off, que como amigo deles nem sabia que perguntas lhes faria no final do jogo uma vez que o Benfica acabara de ser eliminado em Parma, para a Taça das Taças, e já havia sido afastado da Taça de Portugal. Isto no meu pressuposto de que o Sporting iria vencer. Veloso riu-se e disse-me: “vê lá se o tiro sai pela culatra”. Toni, com aquele sorriso maroto, olhou para mim e disparou: “Oh Severino, cheira-me que vais apanhar um desgosto amanhã”! Risos! Limitei-me a dizer que continuava "preocupado" com a maneira como os iria abordar no final da contenda.


No dia do jogo, chovia que Deus a dava, o velhinho estádio de Alvalade completamente lotado, um ambiente fantástico e eu lá estava para acompanhar todas as incidências do jogo relativas ao Benfica. E tudo começou bem para o Sporting que abriu o marcador. Mas o Benfica, rapidamente, empatou. Os Leões voltaram a marcar. De novo os encarnados empataram e logo passaram para a frente. A poucos minutos do fim o resultado chegou aos 6 a 2. Ficou em 6 a 3, com Balakov a marcar de penálti. Foi a noite de João Pinto e o Benfica ficou com o caminho aberto para chegar ao título.



Antes do final do encontro, completamente ensopado, entrevistei João Pinto, que tinha sido substituído para a consagração, junto à escadaria que dava acesso ao túnel das cabinas, e ainda me lembro que do seu rosto transparecia um completo e justificado deslumbramento.



Com o apito final fui em direcção a Toni que, também ele todo encharcado, de peito inchado, me deu conta da sua natural satisfação, não deixando de aludir aos que não acreditavam na equipa, olhando para mim com natural gozo. Quanto a Veloso, veio na minha direcção e perguntou-me: “ então, não me perguntas nada?”. Confesso que foi a única pessoa que me fez rir naquela noite. Abracei-me a ele, a rádio tem estas vantagens, e fiz-lhe a justificada entrevista.



Naquele jogo, Toni foi tão corajoso que até deixou Rui Costa no banco.



Com a obrigação de jornalista fiz toda a festa do Benfica, desde Alvalade até à Luz.



Quando cheguei a casa, a minha mulher, que é benfiquista, tinha um banho quente preparado que me soube pela morte. Tive 3 dias sem sair de casa. Quando me apresentei ao serviço, o meu director, David Borges, um senhor do jornalismo, mas benfiquista, apenas me perguntou se eu já estava recuperado.



Toni e Veloso, muito experientes, sabiam que no futebol a lógica é uma batata. Hoje, passados estes anos todos, continuamos amigos, mas aquela noite jamais será esquecida por mim, por eles e pela HISTÓRIA do Futebol Português.









Carlos Severino