domingo, 10 de janeiro de 2010

APLAUSO E ASSOBIO, SEMANA 3 a 10 JANEIRO 2010





APLAUSO


PINTO DA COSTA

O caso do túnel da Luz, a unidade Sporting/Benfica com a Petição Verdade Desportiva entregue na Assembleia da República e o Porto a 4 pontos da liderança na Liga despertou o "guerreiro". Pinto da Costa não brinca em serviço e pela defesa do seu FC Porto tudo faz. O Presidente dos Dragões aproveitou a justa homenagem a mestre Pedroto e deu, de novo, o mote já velhinho, mas normalmente eficaz, contra os que atacam o FCP. Dramatizou o sempre estimulante, para os adeptos e equipa portista, "inimigo Mouro" e prometeu dedicar o Título ao "Zé do Boné" com quem iniciou o caminho do sucesso, e que sucesso.

Pinto da Costa não facilita, e quando se trata de defender o FC Porto não há nada nem ninguém, goste-se ou não dos métodos, que o impeça. Uma lição para outros que não fazem o mesmo - defender o seu clube como a coisa mais importante do mundo - e que se contentam com posições secundárias. Por tudo isto o meu aplauso para um "Homem do Norte", que apesar de já ter ganho tantos títulos, e com 72 anos, continua a cerrar fileiras quando lhe tocam no seu Futebol Clube do Porto.






ASSOBIO


GILBERTO MADAÍL

Não há dúvida, a nível da Selecção A o Presidente federativo tem sido eficaz ao longo dos mais de uma dúzia de anos que leva à frente da FPF. No entanto, internamente Gilberto Madaíl nunca se afirmou como o verdadeiro líder do futebol português que deveria ser. Sabemos das guerras de poder e como difícil será sobreviver-lhes. Ao prestar-se a um papel secundário na entrega da Petição Verdade Desportiva, na Assembleia da República, Madaíl deu a imagem do "quero mas não posso ou não me deixam" que demonstra que está longe de ser o "Patrão" que se impunha. Mesmo assim mostrou coragem, mas não chega.

Carlos Severino


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A VERDADE DESPORTIVA





A procura da verdade desportiva não é uma situação de agora. A verdade desportiva sempre foi adulterada ao longo dos tempos. É da natureza Humana tudo fazer para alcançar êxito. Contornar regras, jogos psicológicos, doping, tráfico de influências e afins. Quem não os usou que atire a primeira pedra.


Acontece porém, que há alguns que aliciam adversários, agentes reguladores e outros com influência na organização do negócio desportivo, pois é disso que se trata, sem dúvida, e de tal forma o fazem, que conseguem um domínio que parecendo quase natural, não é mais que um consentimento de quem se acomoda à situação, contentando-se com uma posição secundária.

Verdade desportiva no futebol, todos deviam querer embora se saiba que alguns que clamam por ela quando se apanharem a ganhar vão "esquecer-se", rapidamente, daquilo que diziam defender!

São muitas as "estórias" que tenho para contar sobre verdades e mentiras do futebol, sendo que colaborei directamente com o dirigente que mais vi defender, genuinamente, a VERDADE DESPORTIVA, e que por isso mesmo não conseguiu sobreviver, não só pelo que lhe fizeram as "forças ocultas", mas pelo que lhe fizeram as "forças internas".


Falo de António Dias da Cunha que outra coisa não fez do que defender o Sporting como entidade que devia ser respeitada pela sua grandeza, e fundamentalmente quis defender a credibilidade do Futebol Português.

Vem tudo isto a propósito da apresentação na Assembleia da República da Petição pela Verdade Desportiva, uma iniciativa, corajosa, do jornalista Rui Santos, que tive ocasião de subscrever na primeira hora. Espero que o impacto do documento não se fique só pelo mediatismo da sua apresentação e da composição da delegação que se deslocou a S. Bento.

Rui Santos é hoje um jornalista livre, que felizmente tem um palco de grande audiência, conquistado pela qualidade das suas intervenções, onde pode dizer o que pensa sem ter que dar contas a ninguém.

E podia ter entrado pelo caminho mais fácil que era o de não se desgastar na defesa daquilo que, no fundo, pessoas com outras responsabilidades, no mundo do desporto rei, deviam fazer. Certo, certo é que foi o Rui que avançou com este movimento que pode mudar o "modus – operandi" do futebol mundial.

Conheço Rui Santos há uns anos e com ele lidei mais vezes aquando da sua passagem pela chefia da redacção de A Bola e depois já como comentador na SIC enquanto eu era director para a comunicação social no Sporting.

Confesso que nem sempre estava de acordo com os seus comentários, mas sempre o respeitei e o admirei especialmente a partir do momento em que fiquei sem dúvidas de que Rui Santos dizia o que pensava, sem se deixar influenciar por nada nem por ninguém. Quem no mundo do jornalismo pode dizer ou tem condições para fazer o mesmo sem colocar em causa o seu posto de trabalho?

Chegados aqui, é altura de render a minha homenagem ao Rui Santos, porque se há alguém que pode avaliar o que ele está a fazer pelo Futebol, modéstia à parte, sou eu que vivi o lado de fora como jornalista na busca diária da notícia junto dos grandes protagonistas, e o lado de dentro como director para a comunicação social de um grande clube.

Sei bem o que é verdade e o que é mentira; sei bem como é manipulada a informação e a comunicação; sei bem quem joga limpo e quem antes pelo contrário. Por todas as razões sei que o Rui Santos é genuíno; é conhecedor do que diz; não faz fretes a ninguém; está a fazer pela credibilidade do futebol aquilo que outros, com grandes responsabilidades, nunca fizeram.

Louvo pois a coragem de Rui Santos, e espero que o resultado da sua luta se possa sentir a breve prazo para o bem da verdade e do próprio negócio futebol, que tem na sua magia a incerteza do resultado que ninguém deveria ter o direito de adulterar.

Carlos Severino

domingo, 3 de janeiro de 2010

FERNANDO MENDES-CORAGEM DE CAMPEÃO



Estamos no novo Ano e é preciso ter esperança num futuro positivo e, acima de tudo, não nos deixarmos abater pelas situações menos positivas, como fez o ex jogador e treinador do Sporting, Fernando Mendes.

Estamos no ano de 1965, Fernando Mendes é um jogador de eleição, joga a médio, actua no Sporting onde é capitão de equipa desempenhando, também, esse cargo na Selecção Nacional.

Entra em campo com a camisola das quinas para defrontar a então Checoslováquia, em encontro decisivo para a qualificação do Mundial de 1966.

Poucos minutos passados Fernando Mendes, em lance mais vigoroso, lesiona-se e Portugal fica a jogar com 10 até o fim. Apesar disso sai vencedor com golo de Eusébio, pois claro.

No regresso a Alvalade, com os diagnósticos da altura, Fernando Mendes sujeita-se a uma operação ao menisco. Faz depois a recuperação, mas ao fim de um ano continuava a queixar-se. Em nova observação do departamento clínico do Sporting chegam à conclusão que afinal o menisco lesionado é o outro que não foi tirado. É, de novo, operado mas nunca mais foi o mesmo. Ainda jogou na África do Sul, em França acabando, salvo erro, no Atlético onde o vi a treinar com liga elástica no joelho afectado.

Como jornalista e com a minha passagem pelo Sporting, tive oportunidade de conhecer Fernando Mendes, com quem disputei, com outras figuras dos leões como Mário Lino e Figueiredo, "renhidas" e animadas partidas de futebol de 5 e futvólei na velhinha Nave. Não precisava de se mexer muito para mostrar uma classe que nunca perdeu com o andar do tempo.

Depois de conhecer a "estória" da lesão e de ganhar a sua confiança não resisti em perguntar-lhe como é que ele sentia o facto de um erro médico lhe ter acabado com a carreira... Com a maior das tranquilidades respondeu-me: " HÁ COISAS PIORES NA VIDA."


Pensando bem é verdade que há coisas piores na vida, mas um jovem com uma carreira promissora ver-se arredado do Mundial de 66 e arredado da própria carreira por um erro médico, não é coisa fácil de se engolir.

No entanto não vi nenhum azedume, nenhuma nostalgia, nenhuma recriminação de uma pessoa que eu já admirava e que passei a admirar ainda mais.


Esta "estória" é o exemplo provado de que a força psicológica é muito importante para se ser campeão, também, na resposta às adversidades, como fez o "Grande" Fernando Mendes.

Carlos Severino

sábado, 26 de dezembro de 2009

SALEIRO-UMA "ESTÓRIA" DE NATAL


Carlos Saleiro anda nas bocas do mundo por ser um dos pontas de lança do Sporting e ter marcado o golo da vitória no jogo com a Naval para a Liga, mas a sua fama já vem do tempo em que nem sequer tinha nascido.


Saleiro tem 23 anos e fez toda a formação futebolística no Sporting. Começou por ficar famoso por ter sido o "Primeiro Bebé Proveta" nascido em Portugal. Este facto levou uma jornalista, de uma revista a contactar-me, há uns anos, na qualidade de Director para a Comunicação Social, para pedir uma entrevista ao miúdo que despontava nas camadas jovens do Sporting. Como a minha ligação era mais à equipa principal quis saber a que propósito queria entrevistar um "puto" de 14 ou 15 anos?


"Sabe, eu quero entrevistá-lo por ele ter sido primeiro "Bebé Proveta" a nascer em Portugal." Foi assim que a jornalista manifestou o seu desejo. Confesso que não sabia, mas lá tratei do assunto que passou, também, por conhecer as "estórias" sobre o jovem.


Fiquei a saber que após o nascimento do Carlos – bom gosto no nome - por ter sido um acontecimento e por pertencer a uma família humilde, houve gente que prometeu mundos e fundos, uns para aparecer e poucos com boas intenções. Nesse número restrito, boas intenções, estava Isabel de Trigo Mira que, ainda longe de saber que iria ser dirigente leonina, e que dirigente, ofereceu os primeiros anos de educação escolar no seu colégio, o Luso Britânico, o que, depois de algumas peripécias aconteceu mesmo.

Passados uns anos, Isabel de Trigo Mira já como dirigente do Sporting, também está ligada à vinda de Ronaldo da Madeira, recebe um telefonema da mãe de Saleiro a comunicar-lhe que o filho, com pouco mais de 10 anos, também estava no Sporting. E foi uma alegria para ambas.

O tempo passou e Carlos Saleiro sagrou-se Campeão Europeu de Sub – 17 e Campeão Nacional de Juniores com Paulo Bento como treinador. Depois, foi rodar para outras paragens. Ainda me lembro dos golos que marcou ao Sporting pelo Fátima, numa eliminatória para a Taça de Portugal que os Leões ganharam em cima da hora.

Segue-se o Vitória de Setúbal e Académica onde mostrou, de novo, os seus dotes de goleador.

Esta época Paulo Bento deu-lhe a oportunidade de regressar, mas jogou pouco. Carvalhal apostou nele em dois jogos onde Saleiro fez boas exibições e até marcou o tal golo decisivo na Figueira da Foz.

Agora sem Liedson, lesionado por uns tempos, Carlos Saleiro pode ser uma solução, a solução da "casa" se lhe continuarem a dar oportunidades. Com estampa de atleta, 1, 86m, o primeiro "Bebé Proveta", pode ser o primeiro ponta de lança, em muitos anos, gerado na Academia a vingar.


Pelo menos já marcou mais golos, esta época, que o avançado, Sinama - Pongolle, que o Sporting acaba de contratar ao Atlético de Madrid por 6 milhões.

 

Carlos Severino

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

ALTAFINI-A VISÃO SOBRE O MERCADO DE TRANSFERÊNCIAS



Estamos no Natal, época de prendas e de movimentações no Mercado do Futebol. A "estória" de hoje enquadra o ponto de vista que uma grande figura do futebol me transmitiu, há uns anos atrás, e que se mantém tão actual como se pode constatar pelo estado financeiro, lastimável, em que se encontra a maior parte dos clubes.


José Altafini, esse mesmo que marcou os 2 golos com que o Milan derrotou o Benfica que apenas apontou 1, na final dos Campeões Europeus em 1963; que jogou pelo Brasil e por Itália; que marcou 216 golos na série A italiana; que se manteve como jogador até aos 42 anos; que é, actualmente comentador numa TV italiana, esteve no Estádio José Alvalade, há cerca de 10 anos, e com ele tive uma conversa, interessantíssima, sobre o estado do futebol e, particularmente, sobre como ele analisava as movimentações no Mercado.


"Está ali um senhor que diz chamar-se Altafini e gostava de visitar as nossas instalações"! Foi assim que me foi apresentada a situação por um dos funcionários do Sporting. Logo me veio à memória essa figura que nos anos 60 tinha dado uma "alegria" aos sportinguistas, rivalidade é rivalidade, com os golos que marcou ao Benfica, mas achei que devia de haver alguma confusão. Não, não havia confusão nenhuma. À minha frente ali estava José Altafini, ele próprio, caloroso, afável e com uma grande dose de humildade, a solicitar uma visita à "Casa do Leão".


No meu "serviço de guia improvisado" não deixei de lhe mostrar o Museu do Sporting e as fotos do "nosso" Altafini, o de Sernache, vulgo Figueiredo. Altafini ficou muito sensibilizado pois desconhecia que em Portugal tinha havido um jogador que foi apelidado com o seu nome.


A conversa foi seguindo e perguntei-lhe o que estava a fazer? Respondeu-me que tinha virado empresário de jogadores mas, acrescentou, estava muito desiludido com o estado do futebol e por isso achava que não iria continuar por aquele caminho! Perguntei-lhe porquê? O ex internacional italo-brasileiro contou-me uma "estória" passada na Alemanha, presenciada por ele, que o terá deixado bastante céptico, até porque havia aquela imagem do rigor alemão.


Altafini, sem perder tempo, adiantou que a um empresário seu amigo foi pedido um avançado por um presidente de um clube alemão com algum relevo - não me quis dizer qual - para valorizar a equipa.
O dito empresário tratou de encontrar um "craque" e telefonou ao dirigente dizendo-lhe que já tinha o jogador que lhe tinha sido pedido. O tal presidente, sem lhe perguntar mais nada, pediu-lhe para ligar a uma determinada hora afim de lhe dar os pormenores. À hora combinada, o telefone tocou. O empresário lá deu os detalhes da transferência e quando chegou ao preço, já não me lembro o valor mas deixo o exemplo, disse: "são 200 mil". Do outro lado da linha recebeu a resposta: " o quê, 500 mil, você está doido? Fica por 400 mil e não se fala mais nisso. O empresário ficou confuso mas, claro, acedeu. Acontece, porém, que o dito presidente quando atendeu o telefone tinha junto de si os outros dirigentes do clube...


Foi este o exemplo, Altafini garantiu-me ser verídico, que fez uma grande figura do futebol mundial dizer que estava desiludido com o estado do desporto rei.


Passaram 10 anos e o negócio futebol adensa, cada vez mais, a opacidade das relações entre dirigentes e empresários, sabendo-se que os clubes estão de "tanga". Para onde vai o dinheiro?


Carlos Severino

domingo, 20 de dezembro de 2009

APLAUSO E ASSOBIO, SEMANA DE 14/12 a 20/12 DEZEMBRO






APLAUSO



JESUS

Mesmo sem Aimar e Di Maria, Jesus montou um esquema que anulou completamente o FC Porto.

O treinador do Benfica conseguiu superar um dos principais testes para manter acesa a chama para os encarnados poderem chegar ao Título.








DOMINGOS


Os resultados não deixam dúvidas. Domingos Paciência, apesar de nada ter ganho, conseguiu esse feito histórico de colocar o Sporting de Braga como comandante do Campeonato ao fim de 14 jornadas. Domingos começa, como treinador, a ganhar estatuto para a curto prazo poder comandar um dos grandes do nosso futebol.







ASSOBIO




JESUALDO FERREIRA

O treinador do FC Porto não conseguiu contrariar a estratégia de Jesus. É certo que não é o treinador que joga, mas noutras ocasiões Jesualdo Ferreira já conseguiu dar a "volta ao texto" e, por isso, os níveis de exigência são grandes. Apesar de tudo, o FC Porto está a 4 pontos da liderança o que deixa tudo em aberto.




Carlos Severino

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

VEIGA, DE DISCIPULO A PRINCIPAL INIMIGO





Vem aí mais um Benfica-Porto, numa época em que os encarnados sonham com o título que lhes foge desde 2005. Há 4 épocas que é o Dragão a dominar. A última conquista do Benfica foi no ano em que José Veiga era o director para o futebol. A sua influência foi decisiva para o êxito benfiquista. De resto, como foi nas conquistas dos campeonatos ganhos pelo Sporting (2) e pelo Boavista.
Curiosamente, no jogo da época 2004/05 o Benfica até perdeu por 1-0, com Benny Mcharty a gelar a Luz.Veiga, nessa época, só não conseguiu trocar as voltas a Pinto da Costa naquele jogo.

Conheci José Veiga quando em 1995 andava ele por Alvalade a tentar "desviar" Figo dos Leões, num tempo em que o Sporting ameaçava o Porto na liderança do campeonato, muito por influência do antigo nº 7 leonino. Sousa Cintra, então Presidente, nem queria ouvir falar "nesse Vêga"! O caso tornou-se de tal maneira intrincado, que os adeptos leoninos chegaram a querer bater em Figo. Eu fui um dos que se colocou à frente para evitar o pior, conforme retrata a foto de 1ª página da edição de Record daquele tempo. Figo assinou contrato com Inter e Parma, mas acabou por ir parar ao Barcelona, depois de uma "caldeirada" que meteu a UEFA pelo meio. O Sporting não só perdeu o campeonato para o Porto, como recebeu uma quantia ridícula pela transferência de Figo.

Em 99/2000, a trabalhar em pleno com o Sporting, José Veiga trouxe uma série de jogadores como Shemaichel, uns quantos sul-americanos e, também, o italiano Matterazi para treinar a equipa. O investimento foi grande mas os resultados não eram nada satisfatórios. O Presidente José Roquete fez então uma revolução. Despediu o treinador, mudou SAD onde estavam Paulo Abreu e Dias Ferreira, e chamou Luís Duque. Por via de tudo o que aconteceu, Veiga era "persona non grata" em Alvalade.

Após muitas insistências, Veiga conseguiu chegar à fala com Duque. E foi tão convincente com as propostas que fez, não para trazer jogadores mas para "ajudar" na tão almejada conquista do título, que o então Presidente da SAD leonina lhe abriu a porta.

Pelos resultados, a estratégia, toda aplicada na sombra, resultou em cheio. Veiga, qual bom aluno, usou as mesmas armas para combater o seu "professor", que quando deu por ela já era tarde demais. Foi até ao fim para não correr riscos e nem faltou um "incentivo" ao Gil-Vicente para vencer o FC Porto na última jornada, que foi cumprido parcialmente.

O "receptor da mensagem" acabou por satisfazer a pretensão, mas nem foi preciso porque o Sporting ganhou ao Salgueiros. Talvez por isso acabou por ser o único dos Gilistas, que só tiveram o seu "prémio" no ano seguinte após terem recebido e perdido com o Sporting por 2-0, a não ver rigorosamente nada, apesar de ter a fama de até ter bisado no recebimento da compensação. Mas essa é uma "estória" para contar noutra altura com o nome da personagem.

Na época seguinte José Veiga negociou uma "camioneta" de jogadores para o Sporting como J. Pinto; Paulo Bento; Dimas; Bruno Caires entre muitos outros, e depois, por causa dos resultados menos bons dos Leões, virou-se para o Boavista "ajudando", sempre nos bastidores, o Major e seu filho na conquista histórica do campeonato.

No ano seguinte voltou a sua colaboração, de novo, para o Sporting estando na transferência de Jardel para Alvalade e ajudando, de novo na sombra, na conquista de mais um título nacional.

Na temporada de 2002/03 José Veiga vira-se para o Benfica. Começa por retirar força ao Sporting acenando a Jardel com expectativas de uma mudança que deu no que deu. Continuou a trabalhar na Luz e já na época 2004/2005, como Director do Futebol encarnado, consegue levar o Benfica à conquista do título que já lhe fugia há 11 anos, jogando tudo por tudo com os diversos agentes para conseguir o desiderato.

As "estórias" que se contam podem ser realidade ou ficção, mas José Veiga tem o mérito de ter conseguido ser o verdadeiro e único adversário à altura de Pinto da Costa, após ter aprendido como se faz com o Presidente dos Dragões.
Veiga "roubou" 4 títulos ao Porto com 3 clubes diferentes! Mas por onde anda agora? No entanto quem continua na mó de cima, mesmo contra ventos e marés, é Pinto da Costa e, como quase sempre, sem adversário o que acentua, ainda mais, o mérito que tem nos êxitos do FCP.

O Benfica-Porto do próximo domingo vai definir muito do futuro do campeonato.

Se o Benfica pode viver sem Veiga, pode. Mas não é a mesma coisa.

Carlos Severino