domingo, 31 de janeiro de 2010

APLAUSO E ASSOBIO - SEMANA 25 a 31 de JANEIRO




APLAUSO

DOMINGOS PACIÊNCIA

A vitória sobre o Sporting veio dar ainda mais consistência à candidatura do Sporting de Braga ao título.
Mesmo sem João Pereira, o Braga continua a ter uma solidez invejável. Apenas falta um ponta de lança a condizer com a qualidade da equipa.

A 14 jogos do final do campeonato, o Braga disputa directamente com o Benfica a liderança tendo o FC Porto a 6 e o Sporting a 15 pontos. Notável, sem dúvida merecedor de um grande Aplauso.



ASSOBIO

CARVALHAL

Há uma semana recebeu um merecido APLAUSO. Mas o futebol tem destas coisas. As expectativas criadas não passavam por uma derrota em Braga. O Sporting, com Carvalhal, tinha encetado uma recuperação digna de registo.

O tempo seria de um discurso audaz, ambicioso e demonstrativo da grandeza do clube. Ao não perceber o desastre que seria e foi a derrota com a equipa de Domingos, Carvalhal deitou a perder todo o capital acumulado com as declarações que fez antes e depois do jogo.

No Sporting só é compreensível uma atitude ganhadora quer nos resultados, quer no discurso. Quem não perceber isso, e muitos não perceberam nem percebem, está condenado.

Carlos Severino

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

BENFICA/SPORTING, AS TEIAS DA RIVALIDADE

É impossível. A rivalidade entre águias e leões não permite que haja racionalidade nas relações entre ambos e disso se aproveita o FCP com os dividendos que se conhecem.

A "estória" que vou passar a contar demonstra, claramente, que acima dos interesses dos dois clubes está essa turva visão que os atira para guerras intestinas que lhes retiram muito do potencial que têm sem perceberem como acabam sempre por ficar em 2º plano.

A minha colaboração com o Sporting Clube de Portugal, o meu clube de sempre, não se resumiu aquilo que transpareceu, área da comunicação, mas nunca tirei dividendos disso nem esse era o meu objectivo. Como Sportinguista atento, sempre me motivou empenhar-me em, enquanto colaborador, ajudar o Sporting a voltar a ser campeão e ter o estatuto de um clube líder e não subalterno.

Pela minha vivência como jornalista, conhecia bem os bastidores do mundo da bola e assisti, muitas vezes, ao desdém dos adversários acerca do Sporting e de quem o dirigia. Confesso que ficava incomodado, mas nada podia fazer.

Como colaborador, tive a sorte de ter em Dias da Cunha um Presidente que, apesar de não ser um homem do futebol, teve a humildade de querer conhecer como tudo funcionava, ouvindo e sabendo ouvir e interpretar o que lhe era mostrado. E não havia nada só por "31 de boca." Dias da Cunha exigia sempre provas daquilo que lhe era dito e só falava com a certeza de que podia dizer o que dizia.

Foi no contexto acima descrito que o presidente leonino começou a falar do famigerado SISTEMA e a fazer um combate, internamente solitário, que acabou por lhe custar a saída pela porta pequena, proporcionada por um conjunto de situações e pessoas muito mais do lado de dentro do que do lado de fora.

No início da época 2001/02 Dias da Cunha desenvolveu uma série de acções para, em nome do Sporting, tentar regenerar o futebol português.

Um dos episódios foi um célebre almoço, no restaurante PAB, em Lisboa, com o então Presidente do Benfica, Manuel Vilarinho. Nesse encontro estavam também eu e João Malheiro. A conversa versou muito mais o lado das vantagens financeiras resultantes de iniciativas que envolvessem as duas equipas principais - um exemplo seria a realização de 2 jogos de abertura de época, 1 em cada estádio - e que daí resultasse uma mais-valia para ambos, do que atacar este ou aquele. Falou-se da regulação do futebol e da envolvência de todos os interessados na regeneração do futebol de modo a conferir-lhe a credibilidade necessária para o aumento das receitas. Falou-se de arbitragem e da necessidade de criar um modelo que rompesse com a permanente suspeição e por aí fora.

Apesar de ter conhecimento da realidade, não deixei de sentir que aquele encontro podia ser o princípio de um tempo novo, um marco na história do futebol nacional. Foi rebate falso. Por pressões externas e internas na Luz e em Alvalade aquele encontro ficou-se apenas pelas intenções. Rapidamente declarações de gente ligada a um lado e outro, alegando a eterna rivalidade desportiva e não só, tornou um acontecimento que podia ser histórico em algo de horrível e impensável. E assim morreu.

Outros episódios houve, que serão contados a seu tempo.

Carlos Severino

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

APLAUSO E ASSOBIO - SEMANA 18 a 24 de JANEIRO





APLAUSO




CARVALHAL

As sete vitórias consecutivas do Sporting e a maneira inteligente como geriu a difícil situação criada pelo diferendo Sá Pinto - Liedson vêm conferir o direito a um merecido APLAUSO ao técnico leonino, Carlos Carvalhal.

Sabemos que não é fácil responder às exigências que tem um clube grandioso mas muito complexo como é o Sporting. Carvalhal está a mostrar resultados e, também, alguma serenidade tão importante nesta altura.






ASSOBIO





"GUERRA" PORTO/BENFICA


Começa a raiar o cúmulo do absurdo. Numa "guerra" em que ninguém deixa de ter telhados de vidro, sente-se que já não há controlo da situação.

Nem Liga, nem FPF conseguem travar algo que acaba por ser transportado para os adeptos e neles cria motivações que em nada abona a "saúde", já frágil, do nosso futebol, como foi o apedrejamento de viaturas do FCP. Isto vai acabar mal.

Dias da Cunha reclamava a intervenção do governo como regulador. Pelos vistos...




Carlos Severino

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

SÁ PINTO NEM ANJO, NEM DIABO



Conheço Sá Pinto há muitos anos. Lamento a sua saída do Sporting, mas reconheço que não podia haver outro cenário. No entanto, é sempre fácil acusar e carregar em quem está por baixo sem muitas vezes haver o cuidado de se perceber a razão de determinados comportamentos, mesmo os condenáveis.



Estive, involuntariamente, ligado ao famígerado caso do Sá Pinto com o então seleccionador nacional, Artur Jorge, e é essa "estória" que vou contar.



Em Março de 1997, a Selecção ia jogar com a Irlanda do Norte para a fase de apuramento para o Mundial França 98. Artur Jorge fez a convocatória e, estranhamente, não convocou Sá Pinto que estava em grande forma num Sporting, treinado por Octávio Machado, a "morder os calcanhares" ao FC Porto.



Depois de olhar para o papel com os nomes escolhidos, fiquei muito intrigado por nele não constar o nome de Sá Pinto. Curioso, perguntei a Carlos Godinho, já na altura director desportivo da FPF para a Selecção, se o jogador estava a cumprir algum castigo. Godinho limitou-se a dizer que não, o que aguçou ainda mais a minha curiosidade pela não convocação de um atleta em grande forma e com características apropriadas para um jogo disputado no Norte da Europa, no final do Inverno.



Após alguns dias de perguntas a alguns responsáveis sem conseguir respostas com alguma lógica, lá obtive uma versão que não me convenceu, mas era uma explicação para Sá Pinto ficar arredado de uma partida que acabou por ajudar à não ida a França. Empatámos  O-O.



Ora, a explicação para a situação foi-me dada por uma fonte próxima de Artur Jorge. Disse-me a fonte, que Sá Pinto tinha tido problemas com colegas em estágios realizados na Grécia e em Braga que antecederam dois encontros em que o jogador participou.




A versão obtida por mim foi confirmada pelo, também, jornalista, na altura do Record, João Cartaxana. Após cruzar-mos a informação decidimos publicá-la. Eu na TSF, a partir das 2 da manhã do dia seguinte, para não haver aproveitamentos, e o João no seu jornal que estaria nas bancas umas horas depois.



Logo pela manhã Sá Pinto, que ia a caminho de Alvalade para se juntar à comitiva que se ia deslocar a Marrocos para jogar com o WAC de Casablanca, por causa da transferência de Saber, ouviu a notícia na TSF, leu o Record e não deve ter ficado nada agradado. Depois foi o que se sabe. A novela durou bastante e Sá Pinto saiu altamente lesado da situação assim como o Sporting que não só perdeu o jogador como perdeu o título para o Porto.



Confesso que me deu uma grande satisfação dar as boas vindas, já como colaborador do Sporting, no regresso de Sá Pinto a Alvalade, onde, por desavenças com Paulo Bento, não acabaria a carreira de jogador.



Sá Pinto é, sem dúvida, um LEÃO com raça. Lamento o que sucedeu agora a alguém que já tinha tido uma grande provação, fruto de uma reacção intempestiva a uma injustiça que ele não conseguiu encaixar.



Agora é tempo de reflexão. Espero que Sá Pinto volte a ter mais uma oportunidade.



Carlos Severino

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

PINTO DA COSTA SEMPRE AO ATAQUE



Estamos perante nova "guerra acesa" entre Porto e Benfica, tal como há uns anos atrás, o que me fez recordar mais uma "estória" que se passou comigo e com o presidente do FC Porto antes de um jogo nas Antas com S.L. Benfica.


O jogo era para a Supertaça Cândido de Oliveira, referente à época 90/91. Nessa altura a prova entre o Campeão Nacional e o vencedor da Taça era a 2 mãos e por causa dos regulamentos que não contemplavam os golos marcados em caso de empate, havia jogos até que uma equipa tivesse mais vitórias.


No dia do encontro referente à temporada 90/91, marcado para as Antas, a uma quarta-feira à noite, estava eu, de manhã, na redacção da TSF que era então no 12º andar da torre 2 do Amoreiras, quando o telefone tocou e um colega meu me avisou: " ... é o Pinto da Costa, diz que quer falar contigo". Comecei por mandar o meu colega aquela parte pois ainda não me sentia, na altura, com estatuto para ser contactado pelo presidente de um clube como o FCP. Mas ele insistiu, e eu lá peguei no auscultador achando que estava a ser gozado. Mas não era gozo, era mesmo JNPC. Depois de o cumprimentar perguntei ao que vinha. Respondeu-me com outra pergunta:" ... então vêm cá a cima fazer o jogo de logo à noite?" . Sim, claro, respondi eu. "Não venham, poupem a viagem porque não vão entrar no estádio!". O que é que se passa, questionei. " Vocês estiveram toda a manhã a anunciar que o jogo vai ter transmissão televisiva e como isso não é verdade já nos prejudicaram o suficiente, por isso não venham cá."


Efectivamente, o anúncio foi feito nos noticiários devido a uma informação errada, às vezes acontece, mas depois foi desmentida.


Expus o caso ao David Borges, então o chefe de redacção, que logo disse não haver razão nenhuma para não nos deslocarmos até à Invicta. A equipa era constituída pelo Fernando Correia, Pedro Gomes, eu e o João Veríssimo que estava no Porto à nossa espera. Duas horas antes do começo da partida lá estávamos nós junto ao Estádio das Antas. Pelo sim pelo não pedimos ao Veríssimo, que vivia no Porto e era tido como pessoa que se dava bem com PC, para ir apalpar o terreno. Passado um bocado lá apareceu o João, com cara de poucos amigos, lamentando-se que os porteiros tinham ordens expressas para nos barrar a entrada.



Perante o cenário que se nos deparou, resolvemos não insistir. Acabámos por ver o jogo no Aleixo, o famoso restaurante. Ainda me lembro que não jantámos com a satisfação habitual que tínhamos quando íamos fazer jogos. Não foi pela qualidade da comida que estava óptima, foi porque, como profissionais, gostávamos de desempenhar as nossas funções. Mas daquela vez não foi possível.


Pinto da Costa era assim ontem e é assim hoje. Quando sente que alguém prejudica o FCP, no caso nem foi de propósito, aí está ele de garras afiadas em defesa da "sua dama", ponto.


Já agora, o FC Porto ganhou esse jogo por 1-0 e levou a Supertaça ao fim de 4 encontros.


Carlos Severino

domingo, 17 de janeiro de 2010

APLAUSO E ASSOBIO - SEMANA 11 a 17 Janeiro 2010





APLAUSO





LIEDSON


Nem o treinador deu por ele ter marcado 2 golos. Liedson, após recuperar de uma intervenção cirúrgica ao joelho esquerdo em tempo recorde, entrou em jogo já na 2ª parte e marcou 2 golos que valeram uma preciosa vitória ao Sporting.


Liedson é um jogador de eleição não só pelo jeito que tem para a prática do futebol mas pela entrega total em campo, aliando a qualidade técnica a uma persistência exemplar que já valeu muitas vitórias ao Sporting e, também, algumas à Selecção de Portugal.

Allez Liedson, Allez.Carlos Severino






ASSOBIO




RUI COSTA (ÁRBITRO)

A gente vê e não quer acreditar. O árbitro portuense, Rui Costa, foi um desastre no FC Porto - P. Ferreira.

Não satisfeito com a anulação de um golo limpo ao Porto, foi a sinal do fiscal de linha mas ele é que é o chefe de equipa, depois tentou emendar a mão expulsando, escandalosamente, o central do Paços, Oseia, - jogou limpo sem lugar para dúvidas - fragilizando a turma de Ulisses Morais que, mesmo assim, acabou por aguentar o empate.

Rui Costa veio assim dar razão a Vítor Pereira que, surpreendentemente ou talvez não, apareceu em público a queixar-se da interferência dos seus comandados na "verdade desportiva"!

Rui Costa tem de perceber que com transmissão televisiva há muita gente a ver as suas asneiras e por isso deve ter mais cuidado nas suas avaliações.


No golo do FCPorto, que foi marcado com o punho, Rui Costa merece o beneficio da dúvida uma vez que a rapidez do lance terá impedido uma melhor análise.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

OS PAINELEIROS










Entram pela nossa casa todas as semanas, mas já poucos se lembram de como nasceu esta "estória" dos paineleiros que fazem de defensores dos clubes mais emblemáticos de Portugal. Pois eu vou recordar como surgiu esta ideia de discutir, com personagens identificados com os 3 Grandes, os lances e os casos polémicos do futebol cá do burgo.


Era uma vez uma estação de rádio que agitou o espectro com ondas de inovação e irreverência em relação a tudo o que era considerado padrão. Jovem e atrevida, mas também com gente experiente que teve a coragem de largar uma vidinha calma e com rendimento garantido, salvo seja, para construir uma RÁDIO como nunca tinha havido em Portugal. A TSF, é dela que falo, inovou em todos os campos e por isso o desporto não foi excepção.


Com a época 90/91 à porta, foi feito o planeamento da programação desportiva para uma equipa da qual eu fazia parte e onde estavam como estrelas maiores Jorge Perestrelo, Fernando Correia e David Borges. O David era então o chefe de redacção - o director era Emídio Rangel - e também o ideólogo de uma nova maneira de fazer desporto na rádio.


Um dos projectos colocados em cima da mesa foi, precisamente, O PAINÉL com 3 comentadores para partir a loiça, identificados com Porto, Benfica e Sporting. Era algo inédito e por isso toda a equipa se pronunciou a favor pelo que foi assim que nasceu o primeiro programa de PAINELEIROS para o futebol.


Embora a máxima do prestigiado e meu querido amigo Aurélio Márcio, fazia parte da equipa, fosse e ainda é"jornalista não tem clube", a escolha para o programa recaiu em 3 jornalistas, a saber: António Tavares Teles defendia o FC Porto, José Manuel Freitas o Sporting e João Querido Manha o Benfica, o moderador era o David Borges.






Foi assim que nasceu o primeiro programa onde se tratava a polémica dos penáltis, dos fora de jogo mal assinalados, das transferências, das declarações deste e daquele e muito dos árbitros. Era uma tribuna livre mas cada um "puxava a brasa à sua sardinha". Ai que saudades, ai, ai como diria o saudoso Carlos Pinhão.


Aqui fica o registo de que, como tudo na vida, nada aparece por acaso. A fórmula dos PAINELEIROS, que ainda hoje faz sucesso, tem 20 anos e é da autoria de David Borges.




Carlos Severino