domingo, 14 de fevereiro de 2010

APLAUSO E ASSOBIO - SEMANA 8 a 14 de FEVEREIRO 2010




APLAUSO

FERNANDO CASTRO SANTOS

O regresso do técnico espanhol saldou-se por um resultado positivo para o Leixões.
Castro Santos soube contrariar o favoritismo do FC Porto e fez a equipa de Jesualdo Ferreira atrasar-se em relação a Braga e Benfica.

A "chicotada psicológica", para já, resultou. Fernando Castro Santos devolveu a esperança aos leixonenses e logo frente ao tetra-campeão.



ASSOBIO

JOSÉ BETTENCOURT

Há situações que fogem ao entendimento comum. José Bettencourt, mais uma vez, surpreendeu pela negativa, o que começa já a ser uma normalidade, o que me surpreende.

Estar de férias no Brasil, com o futebol do clube em absoluto desvario, e chegar dizendo que "o Sporting não é uma organização vencedora" é, no mínimo, espantoso. Faltou, pelo menos, dizer que não é uma organização vencedora, nos últimos tempos. E para o ser precisa de dirigentes presentes e actuantes.
Bettencourt começa a ter pouco espaço de manobra. Ser realista com a "estória" do 4º lugar pode parecer honesto, mas a grandeza do Sporting não se compadece com um discurso ausente de esperança no retomar do trilho da glória.

Carlos Severino

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

CRISES NO SPORTING - O GOLPE FALHADO

Ao longo dos quase 104 anos da sua existência, o Sporting teve diversas crises. Algumas delas decorreram nos anos que por lá passei - 1998-2006 - como colaborador. Apesar de tudo, foi nesse período que o Sporting conquistou 2 Campeonatos e foi à final da taça UEFA.



A "estória" que vou contar passou-se em 2004/05 e culminou com as saídas do Presidente, Dias da Cunha, do treinador, José Peseiro, e do Administrador Executivo da SAD, Paulo de Andrade que, em Outubro de 2005, não aguentaram a pressão provocada pelos maus resultados e pelos insultos vindos da bancada, mas comandados por gente que hoje, no Sporting, pede compreensão e paciência para suportar o pior momento da história do clube.



O GOLPE FALHADO



Em Outubro de 2004, com Peseiro como treinador, o Sporting conhecia uma grande onda de contestação ao treinador e ao Presidente. Jogava-se mais uma jornada e os leões deslocavam-se ao Estoril. Nos bastidores havia grandes movimentações para desalojar Dias da Cunha que eram patrocinadas por gente que hoje está em Alvalade e que preparou as claques para, no final do jogo, exigir as cabeças dos "culpados".



Sabedor dos movimentos, Dias da Cunha perguntou a Peseiro se seria aconselhável ir assistir à partida já que não queria ser factor de desestabilização para a equipa. Os sinais foram no sentido da não ida. E assim aconteceu.



A anteceder o jogo no Coimbra da Mota, uma série de personalidades, de fora e de dentro, juntou-se ao almoço para acertar pormenores da estratégia que seria consumada no final da partida, em caso de derrota.



O cheiro a conspiração tresandava por todo o lado. As tais personalidades estavam todas num camarote, onde havia muitos sorrisos e... charutos. O ambiente, naquele camarote, era de alguma euforia, próprio de quem está prestes a atingir um objectivo. Do lado contrário, na bancada, os gritos das claques e os dizeres das tarjas exibidas não enganavam.



Com o início da partida, logo se percebeu que o Sporting se apresentava disposto a sair vitorioso. E assim foi. Com uma exibição soberba de Hugo Viana, marcou 2 golos, e de Liedson, marcou mais 2, o rugido do leão fez-se ouvir numa vitória por 4-1, sem Pedro Barbosa. Mesmo assim as claques não deixaram de exibir as tarjas e mandar Presidente e treinador aquela parte, mas o resultado positivo evitou a consumação da estratégia.



Na semana seguinte, O Sporting jogou em casa com o Belenenses e voltou a vencer, desta vez por 2-0. Mas as movimentações continuaram e muita gente recebeu SMS’s a apelar para que no estádio se gritasse: "Ribeiro Teles a Presidente, já." Confrontado com esta situação por Dias da Cunha, Teles apressou-se a desmentir que tivesse alguma coisa a ver com aquilo.







Com bons resultados nas competições internas e na taça UEFA, o Sporting entra em 2005 a apresentar boas exibições, vitórias sobre vitórias, encantando os adeptos mas, internamente, havia contestação dos mesmos do costume.



Dias da Cunha tinha identificado os rostos do "sistema" e virou-se para a tentativa de chamar o poder político à liça na regulação do negócio futebol. Para tanto, elaborou um "MANIFESTO" juntamente com Benfica, Marítimo e Belenenses. O Manifesto mais não era do que um programa de acções conducentes a credibilizar um negócio gerador de milhões, através da sua regulação fora dos agentes do futebol, ou seja sem que fossem os próprios interessados a decidir.



O documento gerou uma onda de contestação tal que, no Sporting, levou a rupturas que marcaram um final de época que sem as tricas que aconteceram podia ter resultado na   melhor temporada, de sempre, do futebol leonino



Continua em próxima "estória".



Carlos Severino

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

QUEIROZvsBAPTISTA

Não me passava pela cabeça escrever esta "estória", mas os homens têm destas coisas.

Sou amigo e conheço bem Carlos Queiroz e Jorge Baptista. O que vou contar não serve para atacar nem defender ninguém. Apenas retrato uma série de episódios que demonstram como o ser humano é imprevisível.

Conheci, pessoalmente, Queiroz e Baptista mais ou menos na mesma altura, aquando do Mundial sub-20, em 1991. Um seleccionador campeão mundial em 89 e o outro jornalista que estava na equipa organizadora do evento de 91.

Quando terminou a prova de 91, Portugal sagrou-se, de novo, campeão. Queiroz passou, pouco depois, a seleccionador da equipa A e o Jorge acabou por ficar ligado à FIFA/UEFA como press-officer, para além de continuar como jornalista apostado na área do comentário.

Sei que os dois se tornaram bons amigos e ainda me lembro de ver Jorge Baptista em Alvalade para discutir a hipótese de ser assessor de imprensa do Sporting que tinha como treinador, precisamente, Carlos Queiroz.

Por uma razão ou outra a ligação profissional não foi possível.

Nas voltas da vida, Queiroz correu mundo como treinador e o Jorge fez o mesmo como press-officer FIFA/UEFA, mantendo, também, o estatuto de comentador, tendo-os encontrado várias vezes na minha condição de jornalista e como director do Sporting para a comunicação-social, e até no Euro 2004 onde fui responsável pela coordenação dos Media em Alvalade.

Recordo-me que, em determinado momento, Baptista farto de ser perseguido pelas invejas muito usuais nos poderosos medíocres deste pequeno país - Queiroz também foi vítima de pressupostos idênticos - rumou até Itália para, como freelancer, tentar a sua sorte e por lá ficou uns tempos.

No plano pessoal convivi muito com o Jorge, em especial naquelas futeboladas, às segundas-feiras, em Campo de Ourique onde se juntava muita gente do mundo da bola e não só.

Confesso que nunca ouvi o Jorge Baptista fazer críticas negativas a Queiroz, até o Prof. regressar a Portugal para voltar a pegar na selecção A. Depois, foi o que se sabe. O comentador não misturou a amizade com a sua opinião e não foi nada favorável ao regresso de Carlos e muito menos foi condescendente quando a selecção esteve na mó de baixo.

Quem conhece o Jorge sabe que ele não guarda recados e por isso já teve de sair de diversos sítios, nitidamente pelos incómodos que causou que levaram os responsáveis a não resistir, infelizmente, às pressões externas como foi no caso Vítor Baía em que defendeu, contra tudo e contra todos, a opção de Scolari em não convocar aquele que é considerado o melhor guarda-redes português de sempre.

Agora, que estão os dois em alta profissional, não era previsível que sucedesse o que sucedeu. Compreendo que não há nada que mais nos magoe que alguém que consideramos nosso amigo nos desvalorize, desanque ou diminua em público. A condição Humana não permite tal. Mas em altos cargos grandes responsabilidades e por isso...

Era bom que os dois valorizassem muito mais o que os unia do que o que os separou e, publicamente, viessem, sem hipocrisias, assumir que tudo não passou de uma anormalidade entre gente normal que gosta de futebol e daquilo que faz.


Com amizade,

Carlos Severino

domingo, 7 de fevereiro de 2010

APLAUSO E ASSOBIO - SEMANA 1 a 7 de FEVEREIRO 2010




APLAUSO

MANUEL FERNANDES
O antigo capitão e treinador do Sporting conseguiu com o V. Setúbal mostrar como se trava um Benfica super motivado, fazendo os encarnados marcar passo na Liga.

Manuel Fernandes é um homem do futebol que merecia ser olhado de outra forma pelos actuais dirigentes leoninos. Mas as preferências vão noutro sentido e, entretanto, o Manel vai mostrando, em clubes com muito menos condições, o que podia fazer pelo seu clube de sempre.



ASSOBIO





JOSÉ BETTENCOUR

Não se entende. Bettencourt foi eleito para estar em todos os momentos no comando da "nau" leonina. O comandante não pode abandonar o "barco" nunca, muito menos numa altura em que corre o risco de se afundar.

Mais do que assacar culpas à equipa de futebol do Sporting pelos maus resultados, é preciso entender que os exemplos têm de vir de cima. Quando isso não acontece não há moral para dizer, no bem-bom das férias!!!, que se está em "estado de choque" com os resultados.

Tenho em José Bettencourt uma pessoa inteligente e bem conhecedora da realidade Sportinguista. Sinceramente, não entendi esta situação.



Carlos Severino

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

CARLOS MARTINS - NOS LIMITES DO GÉNIO

Marcou 2 grandes golos na vitória do Benfica sobre o Guimarães e voltou à ribalta. A carreira irregular, por motivos de lesão e alegada indisciplina, tem limitado a afirmação de um atleta de eleição que conheci no verão de 1994, num torneio no Algarve, e que já nessa altura marcava a diferença.

Uma foto com 16 anos, tirada pelo meu amigo fotojornalista, Carlos Gonçalves, motivou-me a escrever a "estória" de hoje.

No verão de 1994 fui enviado pela TSF para o Algarve a fim de fazer as férias dos craques da bola. Na altura decorria o Mundial dos EUA. As minhas reportagens giravam à volta dos tempos de lazer e de expectativas de Rui Costa, Futre, Vítor Baía, Figo e outros para além das opiniões sobre o decorrer do Mundial, mas não desperdiçava uma boa "estória" fora desse âmbito.

Um torneio de infantis chamou-me a atenção. Entravam diversas equipas entre elas o Sporting. Ao presenciar um dos jogos onde estavam os leões, despertou-me a curiosidade um miúdo que funcionava como "patrão" da equipa. Era nem mais nem menos que o Carlos Martins então com 12 anos. No final do encontro, onde ele marcou uma série de golos, fui entrevistá-lo. Só me lembro que o "puto" falou como gente grande.

Fui reencontrar Carlos Martins, uns anos mais tarde, no Sporting, em 1998, era ele juvenil e falava-se que havia ali craque. Em 2000 Inácio deu-lhe uma oportunidade e colocou-o a jogar num encontro com o Alverca para a Liga, que acabaria por terminar com uma igualdade de 1-1. As coisas não correram bem para o Sporting nem para Martins.

Depois de uma passagem pela equipa B, o jovem jogador foi até ao Campomaiorense rodar e regressou com Boloni. Começou bem a época de 2001/02, mas acabou emprestado à Académica.

A partir de 2003/04 as lesões não largaram C. Martins e só regressa em pleno após ter sido levado pelo seu empresário, Carlos Gonçalves, até à Alemanha onde o problema foi, aparentemente, resolvido.

Na época 2006/07 Martins apresenta-se em grande forma e é chamado por Scolari. Mas o ambiente no Sporting não era bom para ele. As relações com Bento estavam longe de serem as melhores e no final da temporada ruma para o Huelva onde faz uma época em cheio, marcando 6 golos.

Em 2008/09, o Benfica contrata Carlos Martins mesmo sabendo que uma fatia significativa dos 3 milhões que custou iriam para os cofres de Alvalade por causa dos direitos de formação.

Aos 27 anos, Carlos Martins despertou de novo, por bons motivos, a atenção. Em ano de Mundial, o jogador poderá voltar a ter a chance de mostrar o seu génio que, por esta ou aquela razão não conseguiu ser constante durante a sua longa estada no Sporting.






Carlos Severino

domingo, 31 de janeiro de 2010

APLAUSO E ASSOBIO - SEMANA 25 a 31 de JANEIRO




APLAUSO

DOMINGOS PACIÊNCIA

A vitória sobre o Sporting veio dar ainda mais consistência à candidatura do Sporting de Braga ao título.
Mesmo sem João Pereira, o Braga continua a ter uma solidez invejável. Apenas falta um ponta de lança a condizer com a qualidade da equipa.

A 14 jogos do final do campeonato, o Braga disputa directamente com o Benfica a liderança tendo o FC Porto a 6 e o Sporting a 15 pontos. Notável, sem dúvida merecedor de um grande Aplauso.



ASSOBIO

CARVALHAL

Há uma semana recebeu um merecido APLAUSO. Mas o futebol tem destas coisas. As expectativas criadas não passavam por uma derrota em Braga. O Sporting, com Carvalhal, tinha encetado uma recuperação digna de registo.

O tempo seria de um discurso audaz, ambicioso e demonstrativo da grandeza do clube. Ao não perceber o desastre que seria e foi a derrota com a equipa de Domingos, Carvalhal deitou a perder todo o capital acumulado com as declarações que fez antes e depois do jogo.

No Sporting só é compreensível uma atitude ganhadora quer nos resultados, quer no discurso. Quem não perceber isso, e muitos não perceberam nem percebem, está condenado.

Carlos Severino

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

BENFICA/SPORTING, AS TEIAS DA RIVALIDADE

É impossível. A rivalidade entre águias e leões não permite que haja racionalidade nas relações entre ambos e disso se aproveita o FCP com os dividendos que se conhecem.

A "estória" que vou passar a contar demonstra, claramente, que acima dos interesses dos dois clubes está essa turva visão que os atira para guerras intestinas que lhes retiram muito do potencial que têm sem perceberem como acabam sempre por ficar em 2º plano.

A minha colaboração com o Sporting Clube de Portugal, o meu clube de sempre, não se resumiu aquilo que transpareceu, área da comunicação, mas nunca tirei dividendos disso nem esse era o meu objectivo. Como Sportinguista atento, sempre me motivou empenhar-me em, enquanto colaborador, ajudar o Sporting a voltar a ser campeão e ter o estatuto de um clube líder e não subalterno.

Pela minha vivência como jornalista, conhecia bem os bastidores do mundo da bola e assisti, muitas vezes, ao desdém dos adversários acerca do Sporting e de quem o dirigia. Confesso que ficava incomodado, mas nada podia fazer.

Como colaborador, tive a sorte de ter em Dias da Cunha um Presidente que, apesar de não ser um homem do futebol, teve a humildade de querer conhecer como tudo funcionava, ouvindo e sabendo ouvir e interpretar o que lhe era mostrado. E não havia nada só por "31 de boca." Dias da Cunha exigia sempre provas daquilo que lhe era dito e só falava com a certeza de que podia dizer o que dizia.

Foi no contexto acima descrito que o presidente leonino começou a falar do famigerado SISTEMA e a fazer um combate, internamente solitário, que acabou por lhe custar a saída pela porta pequena, proporcionada por um conjunto de situações e pessoas muito mais do lado de dentro do que do lado de fora.

No início da época 2001/02 Dias da Cunha desenvolveu uma série de acções para, em nome do Sporting, tentar regenerar o futebol português.

Um dos episódios foi um célebre almoço, no restaurante PAB, em Lisboa, com o então Presidente do Benfica, Manuel Vilarinho. Nesse encontro estavam também eu e João Malheiro. A conversa versou muito mais o lado das vantagens financeiras resultantes de iniciativas que envolvessem as duas equipas principais - um exemplo seria a realização de 2 jogos de abertura de época, 1 em cada estádio - e que daí resultasse uma mais-valia para ambos, do que atacar este ou aquele. Falou-se da regulação do futebol e da envolvência de todos os interessados na regeneração do futebol de modo a conferir-lhe a credibilidade necessária para o aumento das receitas. Falou-se de arbitragem e da necessidade de criar um modelo que rompesse com a permanente suspeição e por aí fora.

Apesar de ter conhecimento da realidade, não deixei de sentir que aquele encontro podia ser o princípio de um tempo novo, um marco na história do futebol nacional. Foi rebate falso. Por pressões externas e internas na Luz e em Alvalade aquele encontro ficou-se apenas pelas intenções. Rapidamente declarações de gente ligada a um lado e outro, alegando a eterna rivalidade desportiva e não só, tornou um acontecimento que podia ser histórico em algo de horrível e impensável. E assim morreu.

Outros episódios houve, que serão contados a seu tempo.

Carlos Severino